Ingrid livre (epílogo)

Já foi divulgada a posição do PCP. Faço inteiramente minhas estas palavras. Abjecto será também um bom qualificativo.

PS – Esta posição é ainda mais explícita e sincera, como seria de esperar. Repare-se na nuance semântica: os prisioneiros das FARC não eram «detidos», mas sim «retidos». E a cidadã Ingrid apenas um vil «membro da classe dominante colombiana», que obviamente merecia a cela-modelo na qual teria estado «retida» sempre «em boa saúde».

22 Respostas

  1. A falta de sentido é tão grande que a indignação, por tais comentários e procedimentos (vai voltar a haver tenda na esta do Avante) rapidamente dá lugar a um enorme descrédito e menosprezo. Um caso nítido de dupla personalidade colectiva?!
    Bom fim-de-semana

  2. Trata-se de um problema de natureza congénita, Cristina.

  3. Também me parece, e olhe que conheço bem aquele ADN.

  4. Recebido um texto na caixa de comentários que apenas transcreve uma notícia do Público. A mesma pode ser encontrada aqui:
    http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1334439

    (Simples trancrições não são inseridas nos comentários deste blogue. Ver por favor a página editorial.)

  5. O facto de Uribe ter sido eleito democraticamente e de Ingrid ser uma militante ambientalista próxima da esquerda democrática colombiana não sensibiliza o PCP.

    Até aí não há surpresa. O PCP sempre se pautou pelo apoio à violência política e o sectarismo político.

    Mas este caso abre uma outra dimensão: Nem o facto das FARC se sustentarem em grande através do tráfico de drogas comove os comunistas portugueses. Até isso estão dispostos a apoiar em nome da sua utopia ensandecida.

    O que só os torna mais repugnantes…

  6. Sobre a libertação de Ingrid Betancourt, já escrevi o que tinha a escrever na faixa lateral do meu blogue.

    Mas não posso deixar passar em claro a má-fé, a cavalar ignorância ou congénito espirito falsificador dos que, como a Cristina aí em cima, continuam a afirmar ou insinuar que as FARC estiveram representadas nas últimas Festas do Avante, quando está repetidamente esclarecido que quem esteve representado foi o Partido Comunista da Colômbia, partido completamente legal naquele país, livre de ter as opiniões que entender sobre a situação colombiana, e que fez parte da coligação que nas últimas municipais ganhou a gestão da capital do país, Bogotá.

    Será que é assim tão dificil a todas as Cristinas fazerem combate político sem necessidade de recorrer a «clichés» falsificadores e objectivamente mentirosos?

  7. A posição do pcp é de uma canalhice tão espessa que dá vómitos. E eu não tinha já à partida qualquer ilusão positiva sobre o pcp.

  8. É certo que continuará a haver margem para comentários ou apreciações subsequentes, mas hoje ou ontem, não me parece sério falar da «posição do PCP» e ignorar o voto de congratulação pela libertação de Ingrid Betancourt que ontem foi apresentado pelo Grupo Parlamentar do PCP que, como é do domínio público, não é uma entidade qualquer na representação política do PCP e que, como também é sabido, integra Jerónimo de Sousa e vários outros membros da Comissão Política e do Secretariado do PCP.

    Diz esse voto de congratulação :

    ««Ingrid Betancourt em liberdade

    Após seis anos de cativeiro na selva, é motivo de justa satisfação o regresso à liberdade de Ingrid Betancourt, ex-candidata presidencial colombiana.
    O resgate de Ingrid Betancourt coloca em evidência a gravidade da situação em que se encontram centenas de prisioneiros na posse da guerrilha e nas prisões do regime de Álvaro Uribe e a necessidade de encontrar uma solução humanitária.
    Assinale-se que, sistematicamente, o Governo da Colômbia tem vindo a sabotar negociações, mediadas por responsáveis de diversos países, no sentido da troca de prisioneiros entre as partes do conflito.
    Os complexos problemas em presença na Colômbia, exigem uma solução política e negociada de um conflito que se arrasta há mais de 40 anos, indissociável de um regime que promove o agravamento da exploração, da repressão e das perseguições, incluindo milhares de assassinatos e brutais torturas, fortemente condicionado pela ingerência política e militar da administração norte-americana.
    A necessidade de uma solução negociada para o conflito na Colômbia, torna-se ainda mais urgente num quadro em que os EUA o procuram radicalizar e instrumentalizar, como justificação para o reforço da presença de forças militares e como forma de desestabilização da região e dos países que a integram, com risco de escalada militar e ameaça à paz.
    Nestes termos, a Assembleia da República:

    1- Congratula-se pelo regresso à liberdade de Ingrid Betancourt.

    2- Exprime o seu desejo de que a liberdade de Ingrid Betancourt possa contribuir para um caminho de paz para a Colômbia.
    3- Apela às partes envolvidas para que encetem negociações no sentido da libertação de todos os prisioneiros.

    4- Valoriza todos os esforços orientados para alcançar uma solução política negociada.

    5- Apela às partes para que se empenhem na busca de uma solução política negociada do conflito, que dura há mais de quatro décadas.

    6- Manifesta-se pelo respeito da soberania do povo colombiano na definição dos destinos do seu país.

    Assembleia da República, 4 de Julho de 2008

    [ver ainda aqui - em http://papeisdealexandria.blogspot.com/2008/07/bernardino-soares-sobre-libertao-de.html - a intervenção de Bernardino Soares no debate]

  9. caro victor dias

    a posição do PCP não surpreende ninguem

    quem entre outros manjares, digeriu um Pacto Germano Sovietico assinado entre Hitler e Stalin, um muro inteiro em Berlin e toda uma Primavera em Praga, não vai concerteza perder o apetite com a”retenção” de um «membro da classe dominante colombiana»

  10. As posições estão clarificadas desde há muito e ficam com quem as toma. Por mais esclarecimentos pontuais que o PCP faça – numa posição sempre significativamente defensiva -, enquanto não deixar de ser ambíguo o conceito de democracia e de Estado de direito que defende fica sempre mal na fotografia. Seja em situações como a da Colômbia, seja em casos menos diversos do que parecem como os do Zimbabwe, da China, da Coreia do Norte ou de Cuba.

    Lamento, já agora, em relação à referência feita por Vítor Dias à Cristina Gomes da Silva – que assinou com o seu nome, e como o faz sempre – como «Cristina aí em cima». Uma típica incapacidade, muito comum entre os comunistas, para lidar com a diferença política, a qual não passa pelas normas elementares de educação cívica quando a tal se não é obrigado por razões meramente tácticas. Vítor Dias costuma ser um «comunista civilizado», sem dúvida, mas há momentos em que a matriz fala mais alto.

    Finalmente: qualquer cidadão razoavelmente informado sabe muito bem que, neste caso, a verdadeira posição da maioria do PCP – aquela que se manifesta longe dos microfones e no «partido real» – não é a dos comunicados oficiais, mas sim essa outra, mais paleontológica, que a resistir.info emite. Nada de novo sobre a terra. Infelizmente, continuo a dizer.

  11. Caro Rui Bebiano :

    Calcule que ache que isto já e coversa a mais e que esteja tudo esclarecido.

    Conto porém com a sua boa-vontade para ainda me permitir apenas duas observações:

    1. Não fazia ideia que dizer, com uma certa naturalidade ,«a Cristina aí em cima» era uma espécie de papel de tournesol sobre a capacidade de convivência com opiniões diferentes ou revelação de uma qualquer matriz. É preciso muito preconceito ou teias de aranha nas circunvoluções para não entender que o «aí em cima» é para indicar ais leitores onde está o que contestei e que «a Cristina» (só primeiro nome) não tem nada de deselegante – eu que me lembre já tratei o M. Portas, o M. Sousa Tavares, o V. Pulido Valente como «Migueis» e como «o vasco». Está visto que estou a precisar de um novo curso ou manual de etiqueta.

    2. Registo embevecido e espantado o valioso dom que lhe permite afirmar que «qualquer cidadão razoavelmente informado sabe muito bem que, neste caso, a verdadeira posição da maioria do PCP – aquela que se manifesta longe dos microfones e no «partido real» – não é a dos comunicados oficiais, mas sim essa outra, mais paleontológica, que a resistir.info emite». Fico assim a saber que o resistir.info é a bíblia da alma do povo comunista e que interpreta muito melhor o pensamento «da maioria do PCP» que os seus órgãos de direcção democraticamente eleitos. Veja lá como as coisas são: eu há muitssimos anos que não me atrevo a jurar ou adivinhar o que se pode passar maioritariamente na cabeça de 50 ou 100 mil comunistas, militantes ou simpatizantes; o Rui Bebiano atreve-se e SABE e ainda por cima acha que «qualquer cidadão razoavelmente informado» também sabe.

    Concluo, afirmando que cá está mais um exemplo em que uns têm a fama e outros o proveito.

  12. Caro Nuno Granja:

    Ao longo de várias décadas já dei o suficiente para o peditório sobre o famigerado pacto germano-soviético.

    A mim, bastar-me-ia que o Nuno Granja lembrasse aos leitores qual é a data do pacto germano-soviético e qual é a data do pacto de Munique (se não se lembrar, eu informo-o que é aquele que Chamberlain festejou agitando um papelinho ao regressar a Londres).

  13. O Vítor Dias sabe muito bem que não posso provar aquilo que não está documentado. E que sei muito bem que nem todas as pessoas agem e comunicam no interior do PCP com a mesma sensibilidade ou a mesma inteligência. Aquilo que percebo é o que observo na prática – o que vejo fazer, o que oiço, o que leio e não consta dos comunicados oficiais. E aí a cegueira de uma «revolução salvífica» que tudo justifica permanece muito presente. O lamentável resistir.info é apenas um lugar onde essa leitura se pode fazer de uma forma particularmente transparente. Calculo que não seja a sua leitura, mas, se me permite, seria bom para o próprio PCP que esse distanciamento, e o de outros comunistas menos primários, pudesse ficar claro. Esse é, todavia, um caminho que só me diz respeito como cidadão observador e participativo. Nada mais.

  14. Adenda: registo positivamente posição mais recente do PCP. Pena é que ela não tenha sido expressa há mais tempo, de uma forma clara, e tenha sido produzida apenas agora. Perante uma situação com toda esta projecção mediática e não como princípio geral de política aplicável em todas as latitudes.

    Registo também a posição de Vítor Dias no seu blogue, a qual apenas hoje pude ler.

  15. Bom dia aos dois,
    ao Vítor Dias, a visita tal como eu, e ao Rui Bebiano, o visitado. Tinha pensado não dar continuidade a esta “espécie de contenda” , porque não gosto nada de discutir em casa alheia de modo menos próprio. Por isso, passei só para dizer que a mim o que me aflige é todo e qualquer fundamentalismo e confinamento, fechamento e rejeição da diversidade. O fechamento que considero tão contrário às cores da vida. Do meu ponto de vista são sempre tristes os sentidos únicos da vida, é na divergência que reside a possibilidade de convergir, mas só se se for suficientemente honesto e desempoeirado. Obrigada

  16. Para Cristina Gomes da Silva:

    O seu último comentário chega a ser não só bonito como a enunciar uma atitude geral que não me merece nenhuma reseva.

    Desculpará, mas entretanto há uma coisa estranha. É que a Cristina ( é melhor acrescentar : Gomes da Silva) tinha dito lá atrás que «(vai voltar a haver tenda [pressupõe-se que das FARC] na Festa do Avante)» e eu tinha negado firmemnete qualquer representação das FARC nas últimas Festas do Avante.

    Sinceramente acha que o seu silêncio sobre este ponto concreto é compatível e está à altura da sua bonita afirmação de que a aflige «todo e qualquer fundamentalismo e confinamento, fechamento e rejeição da diversidade. O fechamento que considero tão contrário às cores da vida.» ?.

    Apesar de tudo, ou por causa de tudo, saudações.

  17. Para Nuno Granja:

    Espero que o fim-de-semana lhe dê a disponibilidade para trazer aqui aos leitores de «a terceira noite» a data do pacto germano-soviético e a data do Pacto de Munique.

    Oh homem, é coisa que se descobre na Wikipedia com tanta rapidez que nem sequer lhe estraga o merecido descanso deste domingo.

  18. Uma breve nota para Vítor Dias à qual não respondi por me parecer um aspecto lateral, mas ao qual, dada a sua insistência, volto rapidamente. Aquilo que achei incorrecto não foi o uso do nome próprio – se quiser, pode fazê-lo comigo sem problemas – mas sim a forma como o fez. Se eu escrevesse «o Vítor lá de baixo» por certo também não gostaria. Pessoalmente, nunca o faria. Questão ultrapassada.

    Concordo que a referência ao Pacto Germano-Soviético pode ser hoje um tanto anacrónica. Muita água correu entretanto debaixo das pontes. Mas o tacticismo absoluto que pontua a actividade da generalidade dos partidos comunistas e de governos por eles inspirados, esse não morreu. A China é, a meu ver, um exemplo dramático de tal duplicidade.

  19. caro vitor dias

    também não tenho em grande conta Chamberlain e os acordos que celebrou com a Alemanha Nazi, naquele tipo de atitude tão bem descrita por Churchil como “alimentar o crocodilo na esperança de ser o ultimo a ser comido”

    agora quanto a datas, assim de cabeça não sei bem a data em que um tanque sovietico matou o primeiro checo, a data em que os Vopos mataram o primeiro alemão de leste que tentou saltar o muro, a data em que foi gaseado o primeiro “retido” de auschwitz e nem sei este se era judeu, homosexual, cigano, deficiente mental ou simplesmente um opositor a Hitler

    mas tenho certeza que foram actos barbaros, que como todas as más acções ficam com quem as pratica, sejam comunistas, fascistas ou membros eleitos de democracias ocidentais

    nuno g

  20. A recusa, obviamente deliberada e premeditada, de não estampar aqui as datas do Pacto de Munique e do pacto germano-soviético, ainda por cima insinuando através de uma série de exemplos de signidicado e alcance histórico infinitamente menores, dá bem a ideia do estilo de «debate» de que alguns gostam.

    Pode-se continuar a pensar o que se quiser do pacto germano-soviético mas fingir que não tem importância nenhuma ele ter ocorrido mais de um ano após o Pacto de Munique é querer rasurar elementos de contextualização histórica fundamentais.

    Leia Nuno Granja o livro sobre a II Guerra Mundial do nada comunista Paul Maria de La Gorge e descobrirá como eu descobri que, antes do inicio das operações alemães, ingleses e franceses chegaram a pensar numa intervenção militar contra…. a União Soviética !

  21. vitor dias

    julgo que devemos parar por aqui

    enquanto o Vitor Dias dá importancia e um ataque que não chegou a acontecer dos ingleses e franceses à defunda URSS, eu preocupo-me mais com factos de “significado e alcance histórico infinitamente menores” como as vidas humanas perdidas na invasão (essa sim real) sovietica à Checoslovaquia, no muro de Berlin, em Auschwitz ou mesmo na selva colombiana

    definitvamente temos perspectivas e valores diferentes

  22. rui bebiano

    (tentei enviar email mas não consegui pois o meu Mac direcciona-me para um software Mac de email que eu não uso)

    obrigado pela paciencia quanto a este off-topic e pela oportunidade desta breve mas ilucitativa troca de ideias Vitor Dias

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