
Pietro Ingrao permanece aos 93 anos, «um homem brilhante, idealista e romântico». Assume, em entrevista ao suplemento Babelia realizada a propósito da tradução espanhola do autobiográfico Volevo la Luna, que o comunismo falhou, «que o assalto ao Palácio de Inverno fracassou». Mas não se rende. Ao seu modo poético de ser comunista, de se não rebaixar à repetição e ao estereótipo, de evocar a memória rejeitando o azedume, de conservar em tempos difíceis o optimismo revolucionário, é possível admirá-lo. Mesmo quando dele nos afastamos.
Arquivado em: Actualidade, História, Olhares

E existem também o que, fulminados acabam, por morrrer, com as palavras atravessadas na boca, como Berlinguer. Palavras cujo o projecto morre quando o sopro de vida que as transporta se apaga. É de pessoas assim, desta tempera, que se constrói uma parte do mundo.