Sayed

Sayed Perwiz Kambakhsh, jornalista, 23 anos, vai ser executado por «blasfémia» no Afeganistão. E que podemos nós fazer senão esperar sentados? Pela morte de todos esses «muçulmanos moderados» dos quais tanto falamos e que não reconhecemos senão quando os ouvimos a partir do exílio, os vemos em fuga de rosto tapado, ou lhe reconhecemos o olhar pouco antes de morrerem enforcados, degolados ou esmigalhados pelo sopro e os estilhaços de uma bomba. Um drama do nosso tempo diante do qual não basta encolher os ombros e esperar que as coisas mudem. Assim mudarão, de facto. Mas para pior.
Arquivado em: Actualidade, Apontamentos





Rói-me esta sensação de impotência. Mas, diga-me, Rui, o que podemos realmente fazer? Abraço
Cristina, responder a esta pergunta é complicado e deve ser feito a prazo.
A situação de Sayed foi tomada em mãos pela Amnistia Internacional e pelos Repórteres Sem Fronteiras (clicando no link do post ainda podemos assinar a petição). Resta agora esperar por uma resposta, que tarda e provavelmente não virá, das autoridades «democráticas» afegãs.
O que penso deve fazer-se no futuro é trabalhar para relançar um repto pela aplicação da Declaração Universal dos Direitos Humanos e não ter medo de os procurar impor contra a cegueira relativista que tolera tudo a um «outro» inimputável na sua amoralidade. Um trabalho a começar de novo, quase desde o início.
Inteiramente de acordo com este seu “quase ” quadro terapeutico. Mas até lá…vamos assinando petições, ok! Já é alguma coisa, mas os fundamentalistas ignoram-nas certamente.
“Um trabalho a começar de novo, quase desde o início.” Fez-me lembrar a frase de Amos OZ “Quem imaginaria que ao séc XX sucederia o séc XI?” qualquer coisa assim, mas que não augura nada de bom.