Gestão por Objectivos

«Lancemos mãos à obra, na plena consciência de que o plano despertará a grande força criadora que reside em cada alemão, fazendo-a florescer.» (Walter Ulbricht)

Não surpreende a notícia, amplificada pelo Expresso: o inspector-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica enviou às direcções regionais do organismo que dirige um documento no qual se previam, apenas para este ano, 410 detenções, 25.420 processos por infracção, 1.230 suspensões de actividade, 1.640 processos-crime e 12.000 contra-ordenações. A prática é sobejamente conhecida desde o tempo dos absurdos planos quinquenais estalinistas e das quotas maníacas de fuzilados, deslocados, detidos e enviados para «campos de reeducação» que, ao longo de décadas, o poder soviético e os seus plagiários foram materializando. O problema é que a «gestão por objectivos» imposta de forma mecânica por governos cegamente tecnocráticos e orçamentários, aplicada agora, como se sabe, a um número crescente de organismos dependentes do Estado (incluindo-se nestes as instituições públicas de ensino, de investigação e de saúde), tende assustadoramente a aproximar-se dela. Mas não faltará quem diga que não, que não senhora, que isto apenas serve para promover a eficácia e a justiça social.

7 Responses to “Gestão por Objectivos”

  1. [...] : "In 2008 will ich mindestens 410 Festnahmen" Planen wie einst Walter Ulbricht ! Gesto por Objectivos A Terceira Noite der arme Mann kann einem leid tun. Was er tat und verlangt ist das in den Universitten momentan [...]

  2. Acho este comentário infeliz. Primeiro, a notícia do Expresso tresanda a inexactidão. Segundo, e mais importante, a gestão por objectivos é a única forma conhecida de gerir organizações que, precisamente, se opõe ao controlismo exacerbado e em última análise ineficaz das lógicas hiper-centralizadas. Como tudo, pode ser bem feito ou mal feito, e é aí que deveria centrar-se a discussão.

  3. Sim e não. Primeiro, a notícia em si apareceu depois em outros órgãos e não foi modulada senão pelo próprio inspector-geral, aqui advogado em causa própria. Segundo, não vejo de que forma a «gestão por objectivos», quando transformada em ’santo e senha’ da boa administração, cumpre as suas intenções beneméritas. Claro que não defendo o contrário, que é a navegação à vista. Em tudo deve sempre existir uma posição moderadora, capaz de fazer confluir os princípios e a realidade das coisas. O problema começa, como tem começado, quando ela rareia.

  4. Deixo de lado a questão da ASAE.

    Para mim, gestão por objectivos estará sempre muito mais ligada a gestão americana do que a planos estalinistas - para o bem e para o mal, fui-lhe submetida e apliquei-a a muitos outros durante 25 anos, com planos com objectivos anuais, quotas para os resultados das avaliações de desempenho, promoções em função das mesmas, etc., etc.. Desde 1970… E avalio positivamente o balanço de ganhos e perdas.

    Por isso talvez, concordo com o João P. de Castro: não conheço outra melhor (ou menos má) e custa-me a aceitar a resistência portuguesa a tudo o que com ela está relacionado. Tudo depende do modo de fazer e de controlar, evidentemente, mas estar sempre a adiar tudo não resolve nada - como acontece na famigerada (não) reforma da função púbica.

    Mas claro que a asneira está à solta, aqui como em muitos outros domínios…

  5. Claro. Em todas as coisas é preciso tino e capacidade de equilibrar os objectivos com a vida que corre à volta deles. O problema são os ‘aparatchiks’ que estão interessados em cumpri-los a todo o custo, por vezes à bruta (como parece ter sido o caso), para poderem subir no reconhecimento das chefias. E por aí acima…

  6. Há outra questão interessante, mas que terá que aguardar melhor ocasião para desenvolvimento: o planeamento central soviético (ou outro) na prática nunca existiu, não passando de um slogan ideológico sem tradução efectiva na gestão económica quotidiana.

  7. Os planos existiram, estão publicados e deixaram mossa. A sua materialização e a forma como foram subvertidos ou simplesmente aldrabados é outra questão, de facto.

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