Era Fidel

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Não me parece que a saída de cena de Fidel Castro «vire a página» do quer que seja. Só se podem virar páginas de livros abertos e o castrismo é, desde há longos anos, um livro fechado e arrumado na secção de história das estantes. Sobrevivendo, fora de Cuba, apenas como mito. Ora, como todos sabemos, os mitos são fabricados a partir de figuras e de episódios retirados do real, mas muito rapidamente se distanciam deste.

6 Respostas

  1. o castrismo é, desde há longos anos, um livro fechado e arrumado na secção de história das estantes.

    não para os cubanos, que continuam com o livro aberto à espera do final da história

  2. Bom dia Rui Bebiano,
    Excelente texto. Em poucas palavras fica tudo dito.
    Cumprimentos

  3. Num post intitulado «Havana para um Infante defunto» deixei, há tempos, uma evocação de Havana que logo considerei bastante mitificada, afectada, portanto, por uma certa nostalgia que a realidade contrariava. Uma Havana percorrida – embora eu preferisse outra visão – pelo olhar de um turista acidental que até na decadência dos edifícios encontrara um certo charme. Ora, por detrás da cortina de fumo dos charutos, do rum, da música, da simpatia dos cubanos, e mesmo dos cuidados de saúde que vi outro dia numa reportagem da RTP2, há uma cidade real, com gente que sobrevive com muito pouco. Mas isso, também encontrei noutras capitais ibero-americanas, onde para além da pobreza há a indigência e a falta de segurança. E liberdades apenas mais formais, mas que, ainda assim, reconheço prefiro à que os cubanos não têm. Talvez os cubanos possam, ainda, encontrar uma terceira via, que rejeite quer a continuidade do regime pós-Fidel quer os cubanos de Miami.

  4. Procuro também partilhar essa esperança, caro João Ventura.

  5. Eu também partilho essa esperança, caro João Ventura.
    A questão é que 50 anos de regime é muito ano. E para alguns será a “alternativa Miami” e para outros a continuidade sem Fidel ( vide URSS ) já que estes regimes secaram de tal forma as alternativas que depois ou temos os homens de Miami ou temos os homens do aparelho comunista com vestes renovadas.
    Ou seja partilho a esperança mas com pouca esperança.
    Cumprimentos

  6. A fazer fé no curioso «exercício» publicado no «Público», do qual Rui Bebiano nos dá conta no post posterior a este, «esperança» é uma palavra que não terá sido pronunciada por Sócrates nas suas intervenções. Ao contrário, só nos dois comentários acima ela foi por três vezes inscrita. Com as três referências que eu agora acrescento já são seis as vezes que a palavra é citada.
    Apetece-me, então, reproduzir aqui a citação de Walter Benjamin que utilizei no meu post de hoje e que reporta que «é apenas pelos sem esperança, os desesperados, que a esperança nos foi dada». Continuemos, então, com esperança mesmo que não seja muita.

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