Os melhores

Desconfio sempre de toda a iniciativa que procure dizer-me quais são «os melhores» nisto ou naquilo. Sejam eles restaurantes, vinhos, livros, perfumes, futebolistas ou mesmo… blogues. Nada tenho contra os prémios – nunca pensei devolver os poucos que ganhei – e parece-me bem que se premeiem publicamente qualidades ou capacidades. Mas referir «os melhores» sem explicar o porquê da designação parece-me uma forma de contornar o carácter relativo que comporta sempre um qualificativo dessa natureza. E a situação piora quando um suposto critério de qualidade («o melhor») é determinado por um factor essencialmente quantitativo: o maior número de votos obtidos numa votação assente em critérios vagos e subjectivos de gosto ou simpatia (para além de não imune, por vezes, a uma «chapelada» garantida por amigos, companheiros e clientes). Como dizer que só porque ganhou as últimas eleições legislativas José Sócrates é «o melhor político português». Ou porque vendeu não sei quantas centenas de milhares de exemplares de cada um dos seus livros José Rodrigues dos Santos é «o melhor escritor lusitano». Ou porque Salazar foi votado «o maior português de sempre» tenha sido de facto «o maior». Absurdo, não é?

Parece-me por isso de uma grande lucidez o comentário à sua própria vitória feito pelo autor do Bitaites, vencedor absoluto da interessante e repercutente iniciativa O Melhor Blog Português de 2007. Parabéns, dos sinceros, pela pedagógica honestidade. E pelo prémio também, naturalmente.

2 Respostas

  1. O prémio não tem importância nenhuma, na verdade. O melhor, de facto, é relativizar estas coisas.
    Muito obrigado pelas suas palavras, Rui.
    Ainda não tive tempo de conhecer o seu blogue, porque é a primeira vez que cá venho, mas visualmente está muito agradável: tem uma apresentação simples e sóbria, como eu gosto, e está muito bem organizado. Um abraço.

  2. era este o post que eu estava para escever:)))
    a leitura do biaites a propósito da sua vitoria levou a que o inscrevesse nos meus favoritos.
    Curioso foi ver que os outros premiados engoliram o prémio sem uma nota critica acerca da forma como foram nomeados. E depois admiram-se dos jornalistas alimentarem-se das migalhas do poder.

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