Nostalgia vermelha

ODiario.info – uma revista electrónica apostada em ressuscitar, a partir das profundezas da memória, o espectro do antigo jornal da «verdade a que temos direito» –, acaba de editar, entre outros textos igualmente delirantes, um pedaço de prosa sobre a «revolução bolivariana» que se revela bastante pitoresco. Assinado pelos editores (José Paulo Gascão, Miguel Urbano Rodrigues e Rui Namorado Rosa), tem a particularidade de afirmar, preto no branco, aquilo que muitos dos membros da sua família política pensa, ou sonha, mas não tem o atrevimento de escrever. Nele se proclama entusiasticamente que «na pátria de Bolívar avança com ímpeto uma revolução que empolga os povos da América Latina e alarma o imperialismo pela sua meta assumida: o socialismo» e se lembra que a existência de desafios durante a «transição do capitalismo para o socialismo» constituirá sempre «um ensinamento inesquecível» desse «andamento maravilhoso e dramático da Revolução de Outubro de 17». Quando falam de uns malvados «trotskistas, anarquistas e toda uma chusma de intelectuais pseudo revolucionários – os pequeno burgueses enraivecidos de que já falava Lenine» que «somam agora as suas vozes às do imperialismo para profetizar o fim da revolução bolivariana» tenho a impressão que os autores se estão a referir a alguém mas não tenho a certeza de quem seja.

5 Responses to “Nostalgia vermelha”

  1. Bom dia e fim de semana e…sem comentarios

  2. POIS -

    A CIMEIRA DAS CONVENIENCIAS

    ESTÁ AÍ PUJANTE E CÍNICA

  3. Não sei o que me espanta mais neste retorno aos mesmos erros; se a incapacidade para aprender com a experiência se a preguiça com que se cavalga a primeira mula coxa que passa…

  4. Agora sim não falharei o comentário, até porque o faço transcrevendo um excerto de um outro comentário a um meu próprio comentário a um post sobre a Venezuela num blogue de um amigo catalão.

    Diz Subal que «Una de las imágenes que conservo de Caracas me sobrevino en el aeropuerto, viendo embarcar a una familia de inmigrantes portugueses dejando para siempre el país… la mirada del padre de familia, ya anciano, un hombre trabajador… toda una vida que desaparece… Un hartazgo monumental, una decepción sin igual…»

    Lendo isto e porque no tal Diário.info se fala em metas, só me apetece rematar com uma frase de Kafka que aqueles portugueses seguramente pronunciariam se a conhecessem: «Fora de aqui, [desta Venezuela] eis a minha meta».

  5. Sim, aquilo é perigosamente delirante ! Senão, ler este pedaço de imbecilidade concentrada em relação a traficantes de droga ideologicamente puros:

    “Numa indesmentível prova da sua grandeza, capacidade de iniciativa, boa fé e vontade de negociar uma paz justa e democrática, as FARC-EP decidem libertar 3 prisioneiros.”

    E esta hein ?

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