Deparamos todos os dias na imprensa escrita com crónicas e notícias que recorrem a informações ou ideias aparecidas em primeiro lugar no universo dos blogues. Ou então são mesmo os títulos de determinados posts que são copiados no acto de denominar certas peças. Este blogue – como muitos outros – foi já premiado por diversas vezes com essa atenção. Sei bem que nem sempre uma boa ideia ou um excelente título ocorrem quando desejamos e, felizmente, a blogosfera permanece um mapa do tesouro (e também do veneno) sujeito a todo o tipo de explorações que possam substituir uma momentânea desinspiração. Aquilo que aborrece não é esse comércio mais ou menos desregrado, que até me parece saudável e ao qual já recorri, mas antes a insistência, por parte de alguns, em praticá-lo de um modo sistemático e sem se darem ao trabalho de identificarem fontes e autorias, colocando as citações que vão fazendo entre as devidas aspas. Talvez valha a pena os autores dos blogues – que nem sequer se fazem pagar pelo seu trabalho, como acontece com os nossos copistas «com orelhas equipadas com radar» – abrandarem um pouco a sua pública generosidade e começarem a apontar o dedo nas situações mais flagrantes.
Arquivado em: Apontamentos, Cibercultura, Oficina

É o preço da exposição pública e dos anonimatos na net.
Também já dei por isso. Acho, sim, que deve ser denunciado no blogue, com carta para o órgão de comunicação em causa. Porque não começa?
Mas tamém me irrita a «corrida» de certos blogues para darem ANTES dos jornais ou televisões simples notícias, tipo agência Lusa última hora.
O copianço é um desporto nacional, tal como a denúncia anónima, mas o que preocupa mais é o apaganço. Copiem mas não nos apaguem …
No meu santo analfabetismo – vejo um paralelo entre a contrafacçao da roupa e dos textos – é a presunçao inata de quem nao pode cheios de vaidade saloia
Isso é o pão nosso de cada dia no Democracia em Portugal.
Já li em jornais de renome textos escritos por mim sem que me fosse pedida qualquer autorização.
Não é o preço de ser anónimo. Eu identifico-me no meu blog. Só não sabe quem não quer saber.
O meu blog não é anónimo! É gratuito!
Abraço
Tiago
http://democraciaemportugal.blogspot.com
P.S. – gosto de cá vir.
A ironia está na inversão da situação: as fontes de muitos blogues deixam de ser os jornais, enquanto os jornais passam a procurar fontes nos blogues… fontes de inspiração, ou de notícias, ou até de opiniões. “Deixa-me rir” (Palma, 1996). Ou como dizia, sem amargura, um amigo, “o problema é de quem não tem ideias; eu, onde fui buscar esta, tenho muitas mais”.
Um abraço.
Cristina
De acordo. Eu até desculpo os jornalistas (mais ou menos) estagiários, coitados, que precisam, de ideias e de informações que não têm (e em alguns casos jamais terão). Já acho bem pior o caso dos chicos espertos supostamente «prolíferos» que, por comodismo e presunção de impunidade, se servem dos outros para justificarem os recibos verdes.
Aproveito e respondo directamente à Joana Lopes: claro que o meu post teve como ponto de partida uma situação concreta. Não a identifiquei por diversos motivos, mas não garanto que no futuro possa manter a mesma atitude.
Percebi isso depois porque só li a VISÃO mais tarde. Fica aqui preto no branco: p.60, título do artigo de Pedro Norton: «La mala educación» – que é o título de um post do Rui neste blogue. Coincidência a mais…
Acaba por ser uma suspeita (embora uma forte possibilidade) que se não pode provar cabalmente, uma vez que nada impede duas pessoas de pensarem o mesmo, uma após a outra, de um modo independente (ou através de processos telepáticos, como acontece com Scolari e o seu adjunto Murtosa). Noutros casos a situação afigura-se bastante mais grave, pois são argumentos ou frases inteiras que são copiados. E aí é mais fácil prová-lo.